
Queria eu tomar todos os dias o meu pequeno almoço aqui.
Todos os dias trazia um livro e lia umas folhas até me perder a reparar na vida das outras pessoas... Não sou intrometido, sou distraído, e passo muito tempo a pensar no que quero ser. E perdia-me novamente. Sou um vagabundo, no fundo, sentado neste café. E sou, e passo vida a ser, sem me aperceber...
Todos os dias me sentava numa cadeira diferente, porque, por ser distraído, iria encontrar uma nova esquina, uma nova garrafa, um novo detalhe na soleira da janela, de uma perspectiva diferente. E assim, apesar de ser sempre o mesmo café, a mesma empregada simpática com pena de mim, e o mesmo cheiro a tabaco da senhora sempre com pressa e atrasada, não me ia sentir rotineiro. Afinal, sou um vagabundo.
Mas não quero planear nada disto, porque no fundo, sou um vagabundo.

Merecias um enorme beijo na testa*.*
ResponderEliminar